O mundo acabou de repente.
Só restaram este quarto
e o pequeno banheiro ao lado
convertidos em bunker.
Sou o último homem
e me inicio sozinho
com o meu corpo
nesta manhã perdida.

O telefone não toca.
Há dias não chove
porque o mundo acabou.
Os rios finalmente
pararam de correr e suspeito
que o mar também tenha
recolhido suas ondas.
A esperança dos homens
foi tolhida novamente
pela linha do horizonte.

O mundo acabou. Os tigres
invadiram as bibliotecas
me disseram. Nenhum
copista. Nenhum álbum
de fotografias.
Nenhuma árvore
pra contar história.
Mas ainda ouve-se
os pássaros lá fora.




4 comentários:

Bruno de Abreu disse...

ah bom, ufa!

quando o mundo acaba é bom sobreviver nos pássaros lá fora,
não?

(também gostei muito do poema sobre ausência)

Alice disse...

João,já virei sua fã. Você tem um talento fabuloso. Parabéns!
;)

Carol Vidal disse...

Gostei daqui... :)
Voltarei mais vezes para ver as novidades!

Beijo,João!

versospateticos disse...

Todo dia é Big Bang para alguém, não?

Ótimos seus escritos, passarei mais por aqui.

Abraços!




ps: é o Gilberto, da PUC. Esta é a minha outra existência.